quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Como podera um momento
em que tomei a decisão,
virar um tormento
de pura e integra dedicação.

Como entrego tanto tempo
como não consigo controlar,
e sou levada com o vento
com vontade de expressar.

Perdi tranquilidade
não me consigo focar,
não sei mais qual a verdade
onde terei de caminhar.

O chão não para de mover
não  o consigo pisar,
já nele não mereço viver
quanto mais nele me espelhar.

Pedaços pequenos,irremediável
gostava mesmo de entender,
a vida pobre,maleável
em que tornei viver.

Acabou minha segurança
não consigo me manter de pé,
verdade é que minha confiança
se resume a uma pequena estranha fé...
Como se compõe a música
como se desfaz um verso,
verdade é que em ti
me descubro e me perco.

Fica tão vaga a melodia
falta a chave de um refrão,
e tudo que eu queria
era lhe dar uma expressão.

Como a tornar especial
se não sei que escrever,
como pode ser tão musical
se me falta essência no escrever.

Falta-me veia de flexão
com qual me quiz compor,
deixando pingo de coração
ali no verso com rubor.

Verdade é que a ferida
sangrava,escorria,
faltava-me a conseguir tratar
mas verdade é que doía
até num simples respirar.

Como pode bater tão fundo
um mero refrão,
abalando míseria de um mundo
fragmentado desta anunciação...
De repente chorei
perdi o meu farol,
e naquele momento acreditei
que tinha perdido o Sol.

Pensava-me iluminada
protegida por ti,
mas a verdade estava escrita na água
e magoou quando descobri.

Afinal não tinha história
tu nem sequer exististe,
foste golpe da memória
na qual me vi e me feris-te.

Não passou de uma curta metragem
de um veneno do desejo,
continuo animal selvagem
na medida do reflexo em que me vejo.

Até o ar sufoca
tira-me vida cá dentro,
verdade é que me sinto morta
de corpo e de pensamento.